Agosto: o mês em que caminhamos mais devagar

Agosto: o mês em que caminhamos mais devagar

Elisabete Brito – 06.08.2026

 

Por estes dias ainda não me desliguei do trabalho. Continuo com as rotinas, embora ligeiramente reajustadas.  No entanto, desde que agosto chegou, é percetível que o relógio parece marcar um tempo mais lento. Talvez tenha sido o corpo que também abrandou. Os dias começaram amenos e isso permite um respiro mais sereno.

Esta é uma forma de desligarmos dos meses que ficaram para trás e dos que estão para chegar e que nos fazem correr para o trabalho, para casa, para a escola, para as reuniões e para as filas intermináveis.

Passamos meses presos aos relógios, aos horários, às agendas, às listas, aos despertadores e a um sem-fim de outras coisas que todos bem sabemos.

No entanto, por estes dias muitos esquecem tudo isso e conseguem tomar um pequeno-almoço mais demorado, ler um livro que há muito adiavam, passear com tempo ou simplesmente observar o mar ou o pôr do sol sem culpa de tudo o que nos espera.

Nesta forma distinta de caminhar neste período, damo-nos conta de que, afinal, viver não é apenas correr ou cumprir obrigações. Na pausa está a essência. À primeira vista, estes momentos poderiam parecer improdutivos, mas, na verdade, é neste tempo que surgem ideias que são o princípio de algo maior que pode estar para chegar. Quando a energia reequilibra o nosso corpo, tudo se transforma. Quando o pensamento abranda, encontra espaço para criar e imaginar.

No entanto, agosto não dura a vida toda. É curto e passa veloz. Ensina-nos a aproveitar cada instante, a saborear a simplicidade e lembra-nos que a vida não é apenas uma corrida. Os melhores momentos são aqueles em que estamos por inteiro.

Dentro de dias também chegará a minha vez de desligar. Quero apenas receber os dias e permitir que a vida encontre o seu próprio ritmo, sem o peso dos relógios. Planos? Não! Esses são para mais tarde. Quero apenas pensar sem pressa, ler devagar, gargalhar de coração cheio, sonhar sem medo e simplesmente estar.

Setembro vai chegar num ápice e com ele as mochilas, os despertadores e as agendas. Até lá, uns partem, outros regressam. Talvez o maior desafio seja levar um pouco deste agosto quando, a partir de setembro, o tempo voltar a acelerar. O verdadeiro equilíbrio, mas também desafio, está precisamente aí: saber encontrar, no meio do caos, pequenos agostos.

Texto publicado em: https://www.facebook.com/profile.php?id=61570787903821

Elisabete Brito

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Elisabete Brito é doutorada em Sociologia, Mestre em Educação e Bibliotecas e licenciada em Literaturas Modernas. Na escrita mora a sua forma de ser, de ler e de estar, entranhada em tudo o que faz. Com as palavras pinta o mundo, costura os sentidos, reinventa os dias e, acima de tudo, brinca. Gosta dos abraços do mar, do charme das flores e dos segredos que guardam as noites estreladas, de andar com a cabeça nas nuvens e dos mistérios cheios de poesia.

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